Dias Rosas

jul 10 • Alessandra F. Bitencourt, Textos • 773 Views • Nenhum comentário em Dias Rosas

… e, finalmente, às 14:30 sentou para trabalhar. Tinha uma lista enorme de tarefas. Pensou que se fossem domésticas seriam “afazeres”, mas no teclado eram, definitivamente, tarefas. Tarefas de um plano de ação, e olhando a planilha, era um 5W2H!!!!

Mas, hoje se deu conta de sua mais recente vida de mulherzinha! Um dia de sol, um café da manhã quase delongado e a praia que lhe esperava, evidentemente, sem pressa.

Os dias de mulherzinha têm lhe sido interessantes… constatou que não havia dias iguais uns aos outros. Lembrou do ambiente estressado das organizações, onde pensava, nunca um dia era igual ao outro. Isso dava-lhe adrenalina, isso alterava seu cortisol, isso era quase tesão…tanto tempo para descobrir que em qualquer lugar, a qualquer momento, um dia não é igual ao outro! O tempo é implacável, impiedoso às vezes, mas é também generoso e curativo. Não, nunca um dia é igual ao outro… as horas… estas podem ser 24 vezes diferentes a cada dia!

Nos dias de mulherzinha o relógio não tem um ritmo próprio, intenso e nevrálgico. Nos dias rosas, o relógio pode seguir lento, rápido ou parecer parar. Pode ser rápido pela manhã, longo pela tarde e à noite, ela dele se esquecer.

Cada dia diferente e ordenado. Ordenado sim! Hora para fazer tudo, e tudo pode ser qualquer coisa. Pode ser fazer unha, agendar um trabalho, almoçar com um amigo… mais que um amigo, e o almoço vira jantar. A tarde era para quê, mesmo?

Os dias de mulherzinha também nublam, fecham o tempo, desconsolam e chovem. O inverno também invade e pode ser avassalador. Nestes dias, o frio faz o tempo passar mais lento… e uma coisa não puxa a outra, que não puxa a outra, que não puxa nada. Pelo que chora a mulherzinha? Chora a ausência de suas cores, a visão de estar de fora enquanto o mundo gira acelerado… chora o seu choro, como o lagarto choraria o casulo, se não se soubesse borboleta um dia. Embora ela saiba que a primavera sempre chega, os dias de choro são feitos para chorar! E assim, nos dias rosas, chora-se quando se tem que chorar, como se ri quando a vida sorri… pára-se quando se quer parar e segue quando se tem que seguir.

Hoje, foi de dia de praia, foi dia de sol e foi dia de filho! Foi dia de mãe…! Não, hoje não é domingo, nem sábado e nem feriado. Mas, para ela, era dia de mulherzinha… dia igual a todos os outros, porque todos os outros, nunca são iguais uns aos outros.

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