Destino

jul 10 • Alessandra F. Bitencourt, Textos • 833 Views • Nenhum comentário em Destino

Nunca soube ao certo se havia destino, algo que lhe estivesse reservado.

Pressentia que provaria o melhor do mundo e, sem mesmo esperar pelo seu possível destino, meteu-se desde sempre em lutas intensas pelo melhor para ela reservado.

Talvez nunca tenha sabido o que seria o “melhor”, mas nunca duvidou de que o teria e, por isso, tudo que lhe acontecera sempre lhe fora o melhor.

Não do lugar de que todo acontecimento é sempre o melhor. Não! Este lugar não lhe reservava um destino que fosse seu e que fosse também especial. E assim, agarrava-se ao seu destino. Não como quem espera, mas como quem luta, como quem busca, como quem quer olhar bem fundo nos olhos da vida para lhe perguntar: “que tens para mim?”.

Embora tivesse medo de tudo, tinha também a coragem dos insensatos. Cruzou muitos limites para encontrar o seu destino, desafiou a vida, apenas para testar se, afinal… “haveria nela algum destino que lhe fosse seu?”.

Houve tempos em que não choravam lágrimas os seus olhos. Dali escorria um veneno sangrento, que alimentava sua força, que sustentava seus passos e ajudava-lhe a esquecer que um destino, afinal, simplesmente chega… Do topo de um orgulho vaidoso e prepotente, muitas vezes disse da vida: “não aceito por menos!”, e a vida gentilmente lhe cedera o seu melhor.

Sim, ela cruzou muitos limites, mas não todos. E se sentiu o sabor do triunfo sobre a vida, foi apenas para nunca desistir de seu destino. Um lugar ou um tempo que parecia que não lhe chegaria nunca, mesmo quando pensava ter chegado. Havia uma sina de recomeçar, de continuar buscando… e, quando sonhava parar esta busca, a vida recomeçava… a vida não lhe daria sossego!

E assim foi que, tantas vezes engoliu suas próprias verdades e chorou.

Chorou para vida, gritou e gemeu à espera de algo sonhado… nem sempre à espera, é verdade. Chorou o cansaço de uma dia depois do outro, chorou a adrenalina das curvas perigosas que precisou fazer, quando os seus atalhos se mostravam longos demais para levar a um destino. Quantas noites arrastou-se no chão, contorceu-se implorando que a luz do sol lhe irrompesse o desespero? Quantos dias infindáveis lhe obrigavam a manter-se de pé, nem sempre andando, mas vigilante e incapaz de erguer os olhos à vida… não encontraria um sinal.

Não! Nestes momentos nada lhe esperava… a vida, simplesmente, seguia. Seguia ignorando que havia para ela um destino. Qual exatamente, depois de um tempo, já não lhe importava mais.

Gritou e gemeu das dores das lutas com a vida. Mas, rasgou-lhe o véu da alegria, invadiu as fontes secretas de amor e deleite, conversou com o vento e com ele se deixou rodopiar, voou, mergulhou, e nunca, nunca perdeu uma oportunidade de fugir das garras do seu destino, somente para ter certeza de que poderia ser extático… extenuante… melhor.

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